Amigos: os amo

Já passam das 10h50 da noite e eu deveria me preparar para dormir, pois tenho uma quarta-feira complicada, com apresentação de um seminário na pós-graduação (no qual ainda tenho que montar o que falarei), trabalho o dia todo na produtora e ainda, antes do seminário, acompanhar um evento do lançamento do disco do padre Marcelo.
Mesmo assim, resolvi escrever algumas linhas do que vivi nesta noite de terça-feira maravilhosa. E sabem porquê? Porque eu passei algumas das pessoas mais importantes da minha vida, comparáveis apenas a meu pai e minha mãe. E num momento dos mais belos e importantes da vida do ser humano. Hoje, eu, Daiane, Fabiana e Christian fomos no Hospital da Penha visitar a Teresa, Fernando e o Luiz Fernando, o mais novo integrante dos “Putão”, como a Fabiana costuma chamar a turma.
É, Luiz Fernando é o mais novo membro, nasceu nesta segunda, com 46 centímetros e 2,760 quilos. Um toquinho de gente e a cara do pai. Gracioso, dormia tranqüilo no meu colo, passou mais de meia hora comigo, diga-se. Meu braço e ombro parecia que iam estourar, mas fiquei ali, firme, afinal, vale a pena né? A mesma coisa aconteceu com a Laiz, a outra integrante que surgiu de surpresa este ano. Foi um momento fantástico sabe? Eu me emociono tanto ao saber do nascimento desses guris, sinto como se fosse filhos meus. Penso agora como seria o nascimento do meu.
Quem diria, eu, que sempre disse não querer, já mudei definitivamente meu pensamento a respeito. Hoje passei o dia de trabalho numa ansiedade danada para viver o céu que foi esta noite, assim como o dia que juntamos todo mundo na casa do X e da Fabi pra brincar com a Laiz. (começa a tocar La Vita È Adesso, última canção do disco italiano do Renato Russo, é preciso força!). A gente comentava no carro, voltando do hospital, um papo que começou lá ainda, poxa, quem imaginou um dia a gente vivendo isso. Passamos por tantas, bebedeiras, festas, escola, descobertas, brigas, reconciliações, amores, dores, alegrias, tristezas. E hoje estamos contemplando o fruto belo do amor entre o X e a Fabi e entre o Fê e a Teca. É pra emocionar qualquer um mesmo.
Outro dia raciocinava a respeito, lembrando que, há 10 anos, eu estava no mesmo hospital, acompanhando o nascimento do Lucas, meu primeiro sobrinho. Um mês antes da vinda dele, Renato Russo morria e com ele uma parte de mim e de tudo o que eu acreditava e me fortificava. O herói de pés de barro se foi e eu fui junto.
Puxa vida, eu tinha 14 anos, estava na oitava série, tinha tirado naquele ano a carteira profissional, amava uma garota da minha sala que não me dava bola, e minha vida era simples e meu espaço curto: minha escola ficava na minha rua, meu melhor amigo também, as bebedeiras eram na outra rua, ao lado à escola. Enfim, tudo era fácil.
Hoje, 10 anos depois: sou jornalista formado e estou concluindo um curso de pós-graduação; trabalho que nem condenado numa produtora, num site e toco um projeto de pesquisa e estou na espera de um projeto da prefeitura; nem bebo mais tanto, fico na cerveja, falta tempo e dinheiro para tudo isso; trabalho do outro lado da cidade, estudo no centro e tudo ficou longe e distante para mim; meu coração já viveu muitas coisas, sofreu mais do que se animou (bem, isso foi a única coisa que permaneceu).
Ou seja, tudo, ou quase tudo, mudou. Quase, porque nesse tempo todo os meus melhores amigos, a minha família de verdade, pois, como diria o Planet Hemp e o Rappa, “família não é sangue, família é sintonia”, estiveram comigo em boa parte desse tempo. E o que comentávamos era justamente isso: começamos juntos, com muitas alegrias, festas, zueiras, etc.
Mas muita coisa mudou de lá pra cá, passamos por várias reviravoltas, até pouco tempo atrás não tínhamos o contato que possuímos hoje, apesar da amizade mantida, mesmo que lá no fundo escondido de uma caixa de sapato da lembrança, e hoje estamos juntos todos, novamente, e em momentos importantes de nossa vida, podendo presenciar, unidos, toda a alegria de estarmos vivos e de vivermos a alegria e a simplicidade da vida, juntos.
Isso tudo indica que nada é eterno, até os bons momentos, pois os ruins também não o são. Portanto, temos que aproveitar cada instante maravilhoso de nossas vidas, pois pode ser o último. Afinal, “o prá sempre, sempre acaba”. Eu realmente tenho medo disto e sinto que isso poderá sofrer nova alteração. Porque, como acabou de dizer a letra da canção, “ser um homem e não saber como será o futuro”. Não sei o que vai acontecer amanhã: se alguém vai embora do bairro, da cidade, do país.
Eu mesmo brinco – embora realmente planeje algo nesse sentido – de morar fora do país por um tempo, mas não consigo nem me mudar de bairro para me desgastar menos com o metrô, tudo porque não sei como seria morar sozinho, sem ter, a qualquer momento, a possibilidade de fazer o que muitas vezes faço: “Fabiana? Ceis vão sair? Não? Então to subindo. Chama a Daiane lá”. Isso é só um exemplo, as vezes a Daiane me liga pra ir lá, a Fabiana chama, etc. Não sei se consigo viver sem isso. Claro que o ser humano vive com tudo e sem nada. Mas ao menos hoje, eu, sinceramente, não sei.
E me tira o chão só de pensar que não vou ter isso pra sempre, de que não vou ver Luiz e Laiz crescendo juntos, correndo pra lá e pra cá, a gente fazendo festinha de aniversário, os dois pedindo um real pra comprar algum doce na mercearia, um puxando o cabelo do outro, chorando, pedindo a mãe. E a gente rindo de tudo isso, lembrando de nossas histórias, como em um dia perfeito.
Espero que possamos crescer juntos, não só a duplinha dinâmica, mas todos nós. Que possamos morrer próximos, como uma família irmã, celebrando a vida, o nascimento, o crescimento, as dores e alegrias do mundo, a morte. Sei que isso é impossível, mas prefiro não pensar nisso agora, quero sonhar e acreditar que eles estarão lá esperando a gente sempre e que eles poderão contar comigo e com todos o momento que quiserem/precisarem.
Como diz uma letra da Legião: “E o que disserem meus verdadeiros amigos sempre esperarão por mim. E o que disserem agora meu filho espera por mim”. Pedi licença poética pra colocar meus novos sobrinhos como filhos. Como a Teresa disse mesmo: Luiz e Laiz são filhos dos seis. Amigos (incluídos meus dois filhos-sobrinhos), sei que vocês esperam por mim, sempre. E eu também estou aqui, com o coração e a alma repletos de amor para vocês e as mãos para ergue-los e confortá-los. Sempre.
Só pra constar: agora são 11h30.

1 Comments:
Nossa!!! Eu simplesmente amei o texto! Perfeito mesmo!!
Eu também sempre pensei em ter um filho daqui há muito tempo e nem me passava pela cabeça quando. Isso tudo mudou com a filha da Cássia. É impressionante que eu não tenha pensado em ter um logo. Eu não sei, mas quando olho pra ela dá uma vontade doida de ter o meu logo e brincar com ele pra sempre, e levá-lo pra todos os lugares possíveis.
É impossível não chorar com essa possibilidade.
Rod, te amo! Saiba que sou tua amigona e sempre te quero bem!
Beijão!
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