quarta-feira, julho 09, 2008

Isolation

Espelho

Eu te vi saindo de um prédio na avenida Paulista
Com a fronte cabisbaixa, o andar displicente
O rosto denotava uma profunda tristeza
Não aparenta a vivacidade apresentada há cinco minutos
Quando a cabeça trabalhava em algo importante.

Agora caminha em silêncio pela calçada
No fone de ouvido a melodia a gritar que o amor vai nos destruir
Os pensamentos tão distantes quanto nebulosos
Coração angustiado quanto ao que virá na próxima esquina.

As pessoas olham curiosas, algumas com até certa compaixão
Mas ninguém percebe o que realmente acontece
Um pedido de socorro brota daquele olhar vazio
A alma perdida clama por um milésimo de atenção.

A mente já não trabalha como há pouco
Somente dor, insegurança, , isolamento, desordem
E uma cerveja gelada a esperar como companhia
Pensamentos suicidas, a queda se anuncia.

Quando eu te vi não consegui acreditar
Que aquele adeus te perturbara tanto
Há muito que os feriados são sinônimos de depressão
E qualquer desconforto eleva a graus insuportáveis de insatisfação.

No fim daquele dia seguiu seu desordenado rumo
Cumprimentou a todos timidamente, olhou pro chão e deu os primeiros passos
Chegou em casa, tirou a jaqueta e entrou no banheiro
Foi quando eu te vi no espelho e percebi o quanto você está doente.

09 de julho de 2008.