Um disco à frente de sua época
Está tocando “Vento no Litoral” aqui no computador. O bom aqui da produtora é que posso ouvir música. Tenho direito até a fone de ouvido. Realmente, isso facilita e muito meu trabalho, pois só consigo encontrar concentração bacana para escrever com som dentro do ouvido.
Como essa canção é calma, uma das mais viajantes que foram feitas pela Legião urbana. Se bem que o disco todo é assim. O muito pouco famoso V, lançado em 1991 e com pouco alarde, porque tem músicas quilométricas, 10 minutos, 7 minutos, 5 minutos de bate-estaca lento.
É legal quando, numa entrevista, o Renato Russo falava: “É para ter 11 minutos mesmo. Depois é para ter 4 minutos de instrumental. E depois vem 7 minutos de ‘tum tchá’. A gente queria passar o tédio que estávamos sentindo”, mostrando que era tudo planejado e que conseguiram o objetivo, mas de uma forma bacana, porque, apesar da “preguiça” que a banda afirmava quando do lançamento do disco, o trabalho foi muito bem feito e bebe, até se embriagar, no rock progressivo.
As guitarras estão mais para acompanhar a coisa, que se centra mais no violão, nos teclados, em barulhinhos de bateria, muito mais do que o kit completo da mesma. Sem baixista, contrataram Bruno Araújo, o que esconde um pouco o instrumento. Mesmo assim, em “O Mundo Anda Tão Complicado” e na parte pesada de “Metal Contra as Nuvens”, o sonzão do baixo aparece bastante e é muito gostoso.
Aliás, a parte pesada de “Metal” é uma das melhores que a Legião já fez, tem uma pegada heavy metal, que faz jus ao trocadilho do título da música. Sim, trocadilho, mas não me pergunte qual, pois eu não entendi quando o Renato Russo falou uma vez sobre. Falando em peso, a outra canção que é pesada é L’age D’or, que beleza de música! Guitarras rasgadas, parece que o Dado Villa-Lobos teve um momento de inspiração e jogou tudo nessa música. E ficou bem legal. Mais ainda com a letra: “Aprendi a esperar, mas não tenho mais certeza. Agora que estou bem, tão pouca coisa me interessa. Contra a minha própria vontade, sou teimoso, sincero. Insisto em ter vontade própria”.
E o verso dos mais interessantes que eu já vi: “Se a sorte foi um dia alheio ao meu sustento, não houve harmonia entre ação e pensamento”. Já vi discussões a respeito, de que o Renato Russo teria pegado essa frase em algum lugar muito antigo, porque a simetria dela seria fantástica, perfeita. Ele tendo retirado de outro local ou não, o fato é que se você notar a ligação de rimas dela, não entendo muito disso, mas sei que a sonoridade dela é singular. É só prestar atenção, a palavra “dia” com “harmonia”, “sustento” com pensamento”, tudo cantado num ritmo bem seqüenciado. Depois dá uma paradinha brusca para entrar o novo verso, muito legal! Depois vem:“Estamos em perigo, só que ainda não entendo é que tudo faz sentido. E não sei mais se é só questão de sorte”. Pronto, pra mim já mata aqui. Engraçado que esse disco foi achincalhado aos quatro ventos pela crítica, disseram que a banda havia acabado para a música, etc.
Todos esperavam um As Quatro Estações – Volume 2, com todos aqueles hits que encheram as rádios brasileiras em 1990 - o disco todo tocou nas FMs e AMs tupiniquins. Mas não. A Legião Urbana e principalmente Renato Russo, eram diferentes. Não faziam para agradar, faziam porque queria fazer e aquilo que gostavam. Por isso conquistou tantos fãs. Nunca se importou com vendagens e etc. Também nunca precisou né? Sempre vendeu aos borbotões. Mas com essa postura independente, facilitou bastante.
Bandas que fogem do cômodo acabam sofrendo a recusa da mídia de massa. Outra banda que gosto muito, The Smashing Pumpkins, também sofreu isso, lançando um CD quase eletrônico (chamado Adore), depois de lançar o álbum duplo mais vendido na história, chamado Mellon Collie and The Infinite Sadness. Contudo, quem percebe o quão valioso é cada trabalho (casos do V e do Adore) nota que o álbum diz muito mais do que os analistas e público rasos conseguem perceber.
Se no caso do Adore o CD tem coisas maravilhosas, com letras magníficas e arranjos interessantes para algumas músicas (já que a banda, àquela época, estava sem baterista fixo), mostrando que tentava fazer algo à frente daquele tempo, o V é, para mim, uma verdadeira obra-prima, a mais bem elaborada pela Legião Urbana ao longo de sua existência. A que mais ousou, buscou fugir do comum, tentou outro caminho, quis ser algo a mais da mediocridade de nosso rock brasileiro. Nem todos entendem isso. A História mostra que muitos artistas (pintores, músicos) só foram reconhecidos depois de muitos anos de sua morte. Quem sabe essa reparação não acontece daqui há alguns anos?
Como essa canção é calma, uma das mais viajantes que foram feitas pela Legião urbana. Se bem que o disco todo é assim. O muito pouco famoso V, lançado em 1991 e com pouco alarde, porque tem músicas quilométricas, 10 minutos, 7 minutos, 5 minutos de bate-estaca lento.
É legal quando, numa entrevista, o Renato Russo falava: “É para ter 11 minutos mesmo. Depois é para ter 4 minutos de instrumental. E depois vem 7 minutos de ‘tum tchá’. A gente queria passar o tédio que estávamos sentindo”, mostrando que era tudo planejado e que conseguiram o objetivo, mas de uma forma bacana, porque, apesar da “preguiça” que a banda afirmava quando do lançamento do disco, o trabalho foi muito bem feito e bebe, até se embriagar, no rock progressivo.
As guitarras estão mais para acompanhar a coisa, que se centra mais no violão, nos teclados, em barulhinhos de bateria, muito mais do que o kit completo da mesma. Sem baixista, contrataram Bruno Araújo, o que esconde um pouco o instrumento. Mesmo assim, em “O Mundo Anda Tão Complicado” e na parte pesada de “Metal Contra as Nuvens”, o sonzão do baixo aparece bastante e é muito gostoso.
Aliás, a parte pesada de “Metal” é uma das melhores que a Legião já fez, tem uma pegada heavy metal, que faz jus ao trocadilho do título da música. Sim, trocadilho, mas não me pergunte qual, pois eu não entendi quando o Renato Russo falou uma vez sobre. Falando em peso, a outra canção que é pesada é L’age D’or, que beleza de música! Guitarras rasgadas, parece que o Dado Villa-Lobos teve um momento de inspiração e jogou tudo nessa música. E ficou bem legal. Mais ainda com a letra: “Aprendi a esperar, mas não tenho mais certeza. Agora que estou bem, tão pouca coisa me interessa. Contra a minha própria vontade, sou teimoso, sincero. Insisto em ter vontade própria”.
E o verso dos mais interessantes que eu já vi: “Se a sorte foi um dia alheio ao meu sustento, não houve harmonia entre ação e pensamento”. Já vi discussões a respeito, de que o Renato Russo teria pegado essa frase em algum lugar muito antigo, porque a simetria dela seria fantástica, perfeita. Ele tendo retirado de outro local ou não, o fato é que se você notar a ligação de rimas dela, não entendo muito disso, mas sei que a sonoridade dela é singular. É só prestar atenção, a palavra “dia” com “harmonia”, “sustento” com pensamento”, tudo cantado num ritmo bem seqüenciado. Depois dá uma paradinha brusca para entrar o novo verso, muito legal! Depois vem:“Estamos em perigo, só que ainda não entendo é que tudo faz sentido. E não sei mais se é só questão de sorte”. Pronto, pra mim já mata aqui. Engraçado que esse disco foi achincalhado aos quatro ventos pela crítica, disseram que a banda havia acabado para a música, etc.
Todos esperavam um As Quatro Estações – Volume 2, com todos aqueles hits que encheram as rádios brasileiras em 1990 - o disco todo tocou nas FMs e AMs tupiniquins. Mas não. A Legião Urbana e principalmente Renato Russo, eram diferentes. Não faziam para agradar, faziam porque queria fazer e aquilo que gostavam. Por isso conquistou tantos fãs. Nunca se importou com vendagens e etc. Também nunca precisou né? Sempre vendeu aos borbotões. Mas com essa postura independente, facilitou bastante.
Bandas que fogem do cômodo acabam sofrendo a recusa da mídia de massa. Outra banda que gosto muito, The Smashing Pumpkins, também sofreu isso, lançando um CD quase eletrônico (chamado Adore), depois de lançar o álbum duplo mais vendido na história, chamado Mellon Collie and The Infinite Sadness. Contudo, quem percebe o quão valioso é cada trabalho (casos do V e do Adore) nota que o álbum diz muito mais do que os analistas e público rasos conseguem perceber.
Se no caso do Adore o CD tem coisas maravilhosas, com letras magníficas e arranjos interessantes para algumas músicas (já que a banda, àquela época, estava sem baterista fixo), mostrando que tentava fazer algo à frente daquele tempo, o V é, para mim, uma verdadeira obra-prima, a mais bem elaborada pela Legião Urbana ao longo de sua existência. A que mais ousou, buscou fugir do comum, tentou outro caminho, quis ser algo a mais da mediocridade de nosso rock brasileiro. Nem todos entendem isso. A História mostra que muitos artistas (pintores, músicos) só foram reconhecidos depois de muitos anos de sua morte. Quem sabe essa reparação não acontece daqui há alguns anos?

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